Confira nossa entrevista com Elaine Fantini, co-fundadora do Financial Feminism Brasil - Gorilando

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Confira nossa entrevista com Elaine Fantini, co-fundadora do Financial Feminism Brasil


“Não aceitem ‘não’ e estereótipos como resposta. Todas nós merecemos e podemos ocupar esse espaço”

27/06/2019

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Em maio, você deve ter visto que o Gorila abriu as portas do escritório para um encontro do Clube do Livro – Mulheres Investidoras. Agora confira a entrevista que fizemos com a Elaine Fantini, co-fundadora do Financial Feminism Brasil, que é um movimento para estimular a ocupação do mercado financeiro pelas mulheres, seja como investidoras, seja como profissionais do mercado.

Apesar do cenário financeiro ainda ser majoritariamente masculino, com apenas 22% das mulheres investindo na Bolsa e cerca de 30% no Tesouro Direto, Elaine acredita que todas as mulheres têm capacidade de aprender sobre o tema e cuidar melhor do próprio dinheiro. 

Veja abaixo a nossa conversa com Elaine Fantini. 

Gorila: Quando você começou a se interessar por finanças?

Elaine Fantini: Eu sempre namorei de longe o mercado financeiro. É até engraçado falar de longe, pois fui assessora de imprensa de empresas do setor por oito anos. Porém, a questão dos investimentos sempre foi muito distante para mim. Eu acreditava nas falácias de que investir é para quem tem muito dinheiro, de que é muito difícil, de que precisa saber fazer contas complexas… essas coisas. 

Meu interesse começou em 2017, quando comecei a trabalhar na Empiricus. Tendo contato diário com o assunto e principalmente lendo os materiais publicados, comecei a perceber que o tema não era tão difícil assim e resolvi me arriscar. Fui pela porta de entrada da maioria dos iniciantes nesse mercado: Tesouro Direto. Quando vi que a transferência para corretora não fazia meu dinheiro desaparecer, fui pegando mais confiança e aos poucos diversificando minha carteira. Hoje, tenho de tudo: Tesouro Direto, Fundos de crédito privado, Fundo DI, Fundo Multimercado, Fundo de Ações, Fundo Cambial, LCI e bitcoins.

G: Como surgiu o projeto do Financial Feminism Br?

EF: O projeto surgiu de um feliz encontro entre mim e duas mulheres poderosas, que conheci graças às iniciativas para trazer mais mulheres para o mercado financeiro. Eu já conhecia a economista Itali Collini, graças ao Sovinas – Mulheres que Investem, um grupo no Facebook que fundei com uma amiga, e a Itali me apresentou à Mariana Ribeiro que, além de ter trabalhado em mesa de operações, é a maior pesquisadora da primeira brasileira a investir na Bolsa de Valores, Eufrasia Teixeira Leite (em 1890). Posso dizer que a Eufrasia nos uniu. Mariana contou toda a trajetória da investidora e eu logo me apaixonei. Juntas, nós três iniciamos o projeto de escrever um livro sobre a brasileira e durante isso surgiu o Financial Feminism Brasil, que é um movimento para estimular a ocupação do mercado financeiro pelas mulheres, seja como investidoras, seja como profissionais do mercado. Desde então (do fim de outubro para cá), criamos nossas redes sociais, começamos a conectar mulheres com iniciativas de outras mulheres no mercado financeiro e lançamos o livro digital de forma totalmente independente sobre a vida da Eufrasia, que pode ser encontrado na Amazon.

Encontro do Clube do Livro – Mulheres Investidoras no escritório do Gorila

G: Como enxerga hoje a atuação das mulheres no mercado financeiro?

EF: Esse tema começa a entrar na pauta, mas as conversas ainda são muito iniciais. Somos minoria como investidoras (22% na Bolsa e cerca de 30% no Tesouro Direto) e menos ainda como profissionais em posições-chave dentro das empresas do setor. Isso é facilmente percebido em qualquer evento de investimentos, você quase não vê mulher na plateia e muito menos como palestrantes. 

Há duas questões muito importantes aqui: 1) sim, as mulheres são minoria em mesas de operações, como gestoras de fundos, como chefes de asset, de assessores de investimentos, economistas-chefe… então, as empresas que realmente se importam com um ambiente diverso e oportunidades iguais para homens e mulheres precisam de ações positivas para aumentar esse quadro. 2) as poucas mulheres que ocupam esses espaços precisam de maior visibilidade, precisam estar nos jornais, nas redes sociais, nos eventos… Quanto mais elas aparecerem, mais mulheres irão se identificar e acreditar que aquele espaço também lhes pertence. Acredito que assim, conseguiríamos equilibrar melhor a balança entre homens e mulheres no mercado financeiro.

G: Quais os principais desafios das mulheres?

EF: Eu dividiria os desafios das mulheres em dois blocos:

  • Como investidoras: é preciso dar o primeiro passo. Romper as barreiras do medo e das crenças infundadas sobre o mercado financeiro. Algo que foi imposto a nós, justamente para nos afastar dele. Todas, sem exceção, têm capacidade de aprender sobre o tema e cuidar melhor do próprio dinheiro. A linguagem inicialmente pode não soar amigável, os termos não são os mais fáceis de serem entendidos, mas ao mesmo tempo não é nenhum bicho de sete cabeças. Nós mulheres já conquistamos muito na sociedade, já rompemos barreiras que no passado pareciam intransponíveis, por que não seríamos capazes de entender termos financeiros? 
  • Como profissionais: aqui acredito que os obstáculos sejam um pouco maiores. Como tudo no mercado de trabalho, nós chegamos depois dos homens. E quando chegamos nesse ambiente, encontramos regras já prontas feitas por eles e para eles. Então, quebrar essas barreiras é mais difícil. Por isso, iniciativas como Dn’A Women (Develop and Achieve Women) criado por Maria Silvia Bastos Marques (Goldman Sachs), Sandrine Ferdane (BNP Paribas), Sylvia Brasil Coutinho (UBS Brasil) e Maitê Leite (Deutsche Bank), que tem como proposta impulsionar a participação das mulheres no mercado financeiro por meio da educação, é tão importante. 

G: O que considera que as mulheres já conquistaram nesse cenário?

EF: Já conquistaram o direito de estar lá, agora precisamos apenas aumentar a representatividade.

G: Dica/conselho para as mulheres que querem começar nesse meio

EF: Procurem apoio. Há iniciativas em prol de ter mais mulheres como investidoras e profissionais, envolvam-se com elas. Não aceitem não e estereótipos como resposta. Todas nós merecemos e podemos ocupar esse espaço.

G: O que a sociedade ainda precisa fazer para ter mais igualdade de gênero?

EF: Tirar o rótulo e olhar as pessoas a partir de suas possibilidades e potencialidades como indivíduos, como seres humanos. Estamos migrando para uma estrutura social cada vez mais intelectualizada, principalmente, nos grandes centros – onde toda mudança acontece mais rápido. O trabalho bruto vai virar coisa do passado, com as máquinas fazendo a maioria das tarefas. E do ponto de vista intelectual, todos nós podemos executar as mesmas atividades desde que sejamos educados, expostos e treinados para elas. Uns poderão ter mais facilidade que outros sim, mas isso não é determinado pelo sexo.

G: Qual o seu sonho?

EF: Meu sonho é ver as mulheres representando 50% dos investidores brasileiros e igualmente ocupando posições estratégicas e de liderança no mercado financeiro.

G: Uma dica de livro

EF: Não vou me conter e vou dar três dicas:

  • Obviamente, o primeiro é o #QUEROSEREUFRASIA, precisamos espalhar e perpetuar a história da primeira investidoras brasileira.
  • O Lado Invisível da Economia – Uma visão feminista, de Katrine Marçal. Katrine revisita as teorias econômicas e mostra como nós, mulheres, fomos excluídas desde sempre. Explica muita coisa esse livro.
  • The Ladies of The Ticker, de George Robb. Conta a história das mulheres na bolsa de valores dos Estados Unidos, como elas foram marginalizadas e estereotipadas na época.

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